sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

acrósticos nº1

Minha Arte







Musa divina e altaneira
Única e sincera companheira
Sábia e confortante conselheira
Impávida, pura e verdadeira
Consolo de minha carreira
Amiga da hora derradeira.


Compondo






Fiz um acorde perfeito
Errando entre microtons
Liguei-o direto ao defeito
Imposto em todos os sons
Compus um réquiem medonho
Imagem de um mundo enfadonho
Depois uma valsa corrida
A três tempos como batida
Decompus tudo que fiz
Entrando num som que condiz


O Prazer de comer










Doce de caju e paçoca
Enroladinho e tapioca
Gostosuras de caju
Uvas e rabo de tatu
Saboreie com muito gosto
Tamarindo sem mudar o rosto
Aprecie um risoto ou churrasco
Çuidado com o fiasco
Ãgora um frango e um bom vinho
Ovos, presunto e lombinho


O que será isso?







Alguém já sentiu
Mediante um tocar
O corpo com frio?
Rosto a rosar?

Peito esquentando?
Alma vibrando?
Incitada doçura?
Xá de loucura?
Ãlguém pode dizer
O que pode ser?


Opostos Sonoros







Teclando um piano
Unindo os tons
Discurso em plano
Ouvindo os sons

Naquele sossego
Almejo compor
Dórico apego
Andando com a dor



Ótica Pessoal








Feliz é o ser nas loucuras
Em busca de novas verdades
Instruindo a aberturas,
Ouvindo possibilidades

Baixando um microtom
Encontra uma quinta diminuta
Lindo prelúdio sem tom
Ótica de quem escuta


Réveillon





Fui todo contente
Entrei de repente
Levei um abraço
Instintivo amasso
Zuaram comigo
Amada e amigo
Naquele momento
Ouvi muito atento
Nascer neste estorvo
Outro ano novo
Virei nesta hora
Osculei e fui embora

Bodas de Estanho (Zinco)


10ocupado e com a mente 10abitada de 10dém, 10abafo meus 10interesses, 10obedecendo e 10abando (10edificando) o idioma, 10obstruindo o 10atino 10umano e 10usado; 10ejando 10cabidamente 10culpas por minhas 10sídias. Não sofro de 10samor pois tu és meu 10siderato. 10culpe-me o texto 10cepcionante, mas no 10senrolar destes 10 anos, 10pojei-me de 10embaraços (e embaraços) 10medidamente para te amar. A cada dia, 10sejo 10caradamente 10pi-lá e 10scadeirar-te carinhosamente. Só na cali10 do teu corpo, encontro consolo para minha avi10. Desculpe-me a limpi10 (ou rigi10) ao expressar-me, mas como não escon10 nada, nada te escondo. Que esta bodas 10stanho seja um marco 10messuavelmente importante, para os mares de 10medida felicidade que juntos teremos (10grudadamente com nossos amados filhos).
Ich liebe Dich, Je t'aime, I love you, ti amo,
Te Amo
Beetholven Cunha para Ana Célia Cunha
Teresina, 21 de agosto de 2009

SAUDADE DA FOSSA


Tem coisas na vida d’agente
Difíceis de serem esquecidas
Das palmatórias que recebia contente
Das professoras queridas.

De joelho no milho seco
Como castigo de qualquer bobagem
No escuro conversando com o esqueleto
Repreendido por libertinagem.

Ó professoras desgraçadas
De vós tenho tanta saudade
De como não riam de minhas palhaçadas
E como eu gostava de tuas maldades.

E quando saía da escola
Encontrava-me com um menino brigão
Que grudava minhas axilas com cola
E me dava um bom safanão.

Que saudade da humilhação
Que aquele degradado me fazia
Dele lembro-me com emoção
Quando vejo um morrer de embolia.

E ao chegar em meu lar
Aí a emoção é dobrada.
Queria a fome matar
E não tinha nada, nada, nada!

É maravilhoso sentir fome
Sentir o intestino retorcer
Ouvir as lobrigas brigando
Procurando o que comer.

Mas para quebrar a rotina
Aparecia um angu pra comer
Feito com farinha vencida
Que quem comeu vi morrer.

Para quê creme dental
Depois da refeição?
Mastigava folhas de laranjeiras
Amargas que só o cão.

Saía com meus dentes verdes
Rindo feliz ia andando
Com a boca fedida (ou cheirosa?)
Assim ia me enganando.

De longe alguns riam do meu sorriso
De perto choravam com o fedor
Só quem passou descreve isso
Sentindo no peito o calor.

Saudade da ditadura
Aquilo sim que era ordem
Soldado mostrando postura.
Impondo quem é que pode?

Lembro com tanta saudade
De ver meu pai apanhar
De dois homens esquisitos
Acusando-o de vadiar.

As coisas eram tão bem feitas
Que do meu pai não tenho pista
Por ter lido um livro vermelho
Disseram que era comunista.

Isso sim que era ordem
Batiam só em supor.
Para evitar a desordem
Tratavam saber com terror.

Militares maravilhosos
Infelizmente tiveram que sair
Os que sobraram tomaram posse
Prenunciando o melhor por vir.

Foi uma época de mágicas.
Vi o Brasil afundando
Tantas moedas fracas
E planos fracassando.
O melhor de todos eles
Foi o tal de URV
Sempre tinha mais dinheiro
Mesmo não podendo viver.

Foi tanta putaria
Que teve nos anos oitenta
Sexo liberado para todos
Do jeito que hoje nem se tenta

Lembro da gonorréia
Que peguei em um puteiro
Quase perco pênis e güela
De gritar o dia inteir.

Tive foi muita sorte
Pois ainda vou vivendo
Pior foram meus vinte amigos
Que de AIDS foram morrendo.

Hoje sou bem estabilizado
Vivo muito sem graça
Viajo para onde quero
Não tenho nenhuma desgraça.

Sou palestrante mundial
Ganho milhões todo dia.
Vivo de forma legal
Naquela monotonia.

Mais um dia em Berlim
Em uma fossa eu caí.
Lembrei do banheiro de minha antiga casa
Chorei da saudade que senti.

Beetholven Cunha
10 de janeiro de 2009

Ausaimer


Sei de todos os meus erros e acertos!
Como não poderia saber?
Sou um ser vivente
E por mais que crenças e padrões sociais
Tentem me persuadir a esquecê-los,
Sou muito vivo para tal feito.

Uma vez, um religioso me disse:
-Esqueça seus pecados!
E o político: - esqueçam tudo que eu disse!
Esquecer para mim é uma atitude involuntária
Dos que sofrem do mal de Ausaimer.
Esquecer é uma doença.

A lembrança é um privilégio dos vivos.
Lembro dos meus erros para não retroceder.
Lembro dos meus acertos para cultivar o que é bom.
Isso me torna mais pessimista ou humanista?
Defender uma bandeira é algo perigoso.
Muitos morreram e morrem estupidamente
Defendendo bandeiras.


Teresina janeiro de 2009
Beetholven Cunha